Por que eu preciso de um diagnóstico?
No mundo atual, ter um diagnóstico passou a ser importante, quase vital: estamos o tempo todo utilizando as siglas que nomeiam os transtornos psicológicos, após consultar o DSM-5-R ou o CID 11. Quando se trata do uso profissional, é compreensível: o diagnóstico psicológico/psiquiátrico irá delimitar o tratamento posterior, o medicamento a se usado, etc. Porém, o que dizer dos autodiagnósticos?
As pessoas estão buscando informações em redes sociais ou em sites leigos ou de profissionais da saúde mental e assumindo denominações diagnósticas, como se isso lhe trouxesse algum alívio ou sentido... E cá estamos, nós, psicólogos, às voltas com TDAH, TOD, TAG, TEA, TAB e outros... quando não são combinados... e para complicar ainda mais, as chamadas “comorbidades”, com combinações de transtornos e sintomas...
É possível que tais demandas busquem resposta a questões sobre a existência, sobre a angústia de existir, sobre o sofrimento psicológico sentido, que encontram nas siglas dos transtornos uma resposta que pode vir a diminuir a angústia do não-saber.
Mas encaixar as pessoas em categorias é uma obra muito difícil, pois se trata de negar a existência da subjetividade, da história e das possibilidades de um sujeito único e inigualável... Nenhum autista é igual ao outro, nenhum depressivo tem a mesma história que outro, não há padrões no comportamento humano.
Quando avaliamos um suposto autista, não podemos esquecer que antes de mais nada ele é uma pessoa e não um “amontoado” de sintomas diagnósticos. Atendemos pessoas e não critérios, e algumas vezes, com base em uma profunda avaliação, somos levados a negar a sigla que a pessoa se atribui, pois o entendimento da dinâmica da personalidade é mais importante que uma sigla autoatribuída. O caminho da avaliação psicológica deve ser a compreensão do indivíduo que nos procura, e o diagnóstico pode ser uma das conclusões de um processo de avaliação bem conduzido, mas não necessariamente o único.

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